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Familiares de vítimas da tragédia da Vale pedem que as buscas sejam retomadas

As buscas foram interrompidas no dia 21 de março por causa da pandemia do novo coronavírus

Por Cléver Ribeiro, 09/07/2020 às 09:51
atualizado em: 09/07/2020 às 11:42

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RESUMO

  • Após um 1 ano e 5 meses do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 11 pessoas ainda não foram localizadas.
  • As buscas foram interrompidas no dia 21 de março, por causa da pandemia do novo coronavírus.
  • Parentes pedem que as buscas sejam retomadas para que possam encerrar um ciclo e enterrar seus parentes de firma digna 


Após um 1 ano e 5 meses do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 11 pessoas ainda não foram localizadas dentre os rejeitos de minério. As buscas foram interrompidas no dia 21 de março, por causa da pandemia do novo coronavírus.

Ouça a reportagem com Clever Ribeiro!

O que restou entre os parentes foi apenas uma ferida aberta, a dor de não poder sepultar a pessoa querida de forma digna. A Itatiaia foi ao município de Brumadinho e conversou com famílias que compartilham da ansiedade de acharem os corpos e, ao mesmo tempo, sofrem com a falta de esperança devido à paralisação das buscas.

Nathalia Oliveira, irmã de Lecilda de Oliveira, que era funcionária da Vale há quase 30 anos, faz parte da Associação dos Familiares de Vitimas e rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum). O desejo dos familiares é sepultar o entes queridos de forma digna.

“É a notícia mais triste que um familiar pode ter, mas é a mais aguardada, porque a gente sabe que eles morreram, mas no dia 2 de novembro ninguém tem aonde ir fazer uma homenagem. Nós precisamos fechar esse ciclo. A gente entende que no momento da covid, medidas foram necessárias só que já passaram 110 dias, a gente clama para que eles antecipem essa volta, porque quando voltar vai ter outra coisa que apavora a gente, que é o período de chuvas, que já atrapalhou muito as buscas.”

Geraldo Resende perdeu a filha e o genro na tragédia e hoje cria os dois netos gêmeos, que perderam a mãe e o pai. O caminhoneiro acredita que encontrar o corpo dará fim a angústia que sentem.

“A minha tristeza é total. Vou fazer com eles [netos] igual eu fiz com minhas filhas: dar educação, humildade e alegria na vida. Ao menos eles têm que ter alegria na vida, porque a minha acabou. Eu só peço ajuda porque aquela barragem destruiu eu, minha família, destruiu tudo. Eu peço a Deus e Nossa Senhora Aparecida que ajude os bombeiros, o governador e dê força pra nós, para voltar as buscas, que venha mais rápido, para gente sair desse sufoco.” 

Também filha de Geraldo, a técnica em enfermagem Josiana Rezende acredita que todos os corpos serão encontrados. “A área da mancha é muito extensa, são mais de 7 km e durante esse percurso todo são mais de 8 milhões de metros cúbicos, então não foi revirado nem a metade ainda. A gente precisa que seja esgotada as possibilidades. Todos eles vão ser encontrados, porque eles estão lá, só precisam da localização.”

Anastácia do Carmo vive uma situação diferente. O filho dela, Clayton Luis Moreira Silva, 29 anos, foi encontrado. Ela diz que se sente aliviada por ter encerrado esse ciclo e defende um sepultamento digno. “A tristeza nunca passa. Mas hoje eu tenho aonde ir, que é no cemitério, levar uma flor. Essas pessoas, que ainda não conseguiram encontrar seus familiares, ficam sem ter um lugar pra ir. É desesperador.”

Nessa sexta-feira (10), a Itatiaia ouvirá militares do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais para saber se já existe uma previsão para a retomada dessas buscas e quais protocolos de segurança devem ser adotados contra a covid-19 durante a volta aos trabalhos.

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