Cadu Doné

Coluna do Cadu Doné

Veja todas as colunas

Os “mitos” do Cruzeiro

No futebol, ainda se confunde uma suposta firmeza com a escancarada tosquice...

05/12/2019 às 05:10
Os “mitos” do Cruzeiro

Chega a ser emblemático perceber que, justamente em São Januário, fortaleza que por tantos anos simbolizou o coronelismo retrógrado de Eurico Miranda, Zezé Perrella tenha nos brindado com um populismo rasteiro típico dos toscos cartolas que ainda predominam no futebol brasileiro. Muitas críticas têm sido feitas por jornalistas de outras praças aos comunicadores mineiros. Algumas justas, outras não. Generalizações perigosas nesta seara andam ocorrendo. Curioso me parece, contudo, notar que, só em Minas Gerais, Perrella – ainda – é levado minimamente a sério por um número significativo de torcedores e analistas. Sequer flertar com a crença de que ele representaria uma ruptura, uma lufada de ar fresco em meio à crise institucional na qual o Cruzeiro se enfiou pela péssima gestão da dupla Itair/Wagner, denotaria provavelmente ou uma ignorância intransponível, ou um medo de se manifestar patológico. É triste diagnosticar como no nosso estado, personagens da mídia representaram veementemente o segundo tipo mencionado: os mesmos que são "leões" para destruir um Eurico Miranda da vida, se provaram “gatinhos” na hora de aliviar para Perrella. Justamente aí, nestas horas, o pavor de não se comprometer, incompatível com a profissão que escolheram, se desnudava claramente: Perrella é um Eurico que fala “uai”, e as semelhanças são muito facilmente identificáveis.

Fazendo justiça, muitos profissionais seguem honrando seus espaços quando opinam sobre o assunto em tela. Deixando vários ótimos colegas de lado, só para citar três que vêm se provando tão enfáticos quanto inteligentes nas críticas ao ex-senador que, como uma raposa, voltou a tomar o poder na Toca, aplaudo Eduardo Panzi, Heverton Guimarães e Vinicius Grissi. Repito: inúmeros outros poderiam ser nomeados.

O brasileiro não costuma esbanjar ínfima habilidade para atribuir – no futebol e fora dele – a alcunha de "mito". As mais pitorescas das figuras andam recebendo este apelido. Antes mesmo das últimas eleições presidenciais no Barro Preto, pelo farto e nada republicano histórico que edificara no Ipatinga, Itair deveria ser alvo, no mínimo, de desconfiança. E, salvo exceções – aqui faço questão de listar figuras que estão fora da chamada "grande mídia", como Rodrigo Genta e Stefano Marchesine, que desde sempre, com firmeza, cumpriram um dos mais inegociáveis mandamentos jornalísticos, o de questionar –, nos últimos anos, o que se viu por nossas bandas foi uma mistura de omissão com deslumbramento em torno do cartola que, com a anuência de Wagner Pires de Sá, mandava em tudo. Agora, com ou sem rebaixamento, para a história do clube, é tarde...

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    O álbum Será que Você Vai Acreditar? está disponível nas plataformas digitais. #Itatiaia

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    Tanque do carro foi adulterado para conseguir transportar o entorpecente, de acordo com o informado pela PRF. #Itatiaia

    Acessar Link