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Seis meses da tragédia em Brumadinho: sobrevivente narra fuga e diz que nasceu de novo

Por Redação , 25/07/2019 às 10:22
atualizado em: 25/07/2019 às 22:04

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Foto: Felipe Werneck/Ibama
Felipe Werneck/Ibama

O técnico em meio ambiente Elias completa seis meses de vida nesta quinta-feira, mesmo com 45 anos. A conta matemática que não bate pode ser explicada pela máxima: ‘Nascer de novo’. Elias estava a 500 metros da barragem B1, da mineradora Vale, que se rompeu no dia 25 de janeiro em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, e sobreviveu. Ouça aqui.

Imagens da fuga, dentro de uma caminhonete, foram divulgadas (assista abaixo). Elias e um amigo conseguiram escapar e ainda ajudaram um terceiro trabalhador. Ele conta que, no momento em que a estrutura rompeu, ouviu um barulho e pensou que fosse normal. Atribuiu o som a alguma detonação corriqueira.

Ao perceber o movimento dos vagões, passou a considerar a possibilidade de descarrilamento. Foi quando veio o mar de lama. “Eu gritei para meu colega: ‘Vamos correr daqui, porque senão vamos morrer. A barragem rompeu’”, relembra. 

Elias conta que chegou a pensar que era o fim. “A gente tentou fugir, ir para um lado e para o outro, e quando vimos que não daria eu voltei para o mesmo local e falei: ‘Entrega a alma para Deus que é a hora de passar para o outro lado’”.

Religioso, ele diz que depois de tudo o que aconteceu, nasceu de novo. “Vemos toda aquela destruição, arremessando máquinas e vagões, e nós conseguimos sair vivos de dentro de uma caminhonete. É um milagre de Deus”. 

“Víamos animais mortos perto da gente... Não tinha como ajudar as pessoas, elas estavam soterradas. Eu acho que é um cenário terrível que vamos carregar para a vida inteira, não tem como esquecer. Eram pessoas do nosso dia a dia, amigos, colegas que perdemos”, desabafa. 

Tenente do Corpo de Bombeiros, Felipe Rocha foi um dos primeiros a chegar por terra ao local tomado pela lama de rejeitos de minério e compunha a equipe formada por dois aspirantes e um sargento, que resgatou Elias e mais quatro pessoas. 

“Quando a nossa equipe chegou, apesar da situação, não hesitamos em fazer o que fomos treinados, entrando na zona quente, para fazer o resgate daquelas vítimas que ainda estavam com vida”, diz Felipe Rocha. 

“A gente sabe que é a nossa profissão e o nosso dever, mas não é uma coisa que se processa. Todos os dias lembramos e recebemos a recompensa a longo prazo. Estou aprendendo muito com a operação em Brumadinho”, completa.

Este, no entanto, não foi o destino de centenas de pessoas, que tiveram as vidas levadas pelo mar de lama. Emocionada, uma mulher, que pediu para não ser identificada, perdeu o marido, ex-funcionário da Vale, na tragédia. Para ela, o maior desafio é explicar para o filho de apenas cinco anos, a ausência do pai. 

“Eu tenho tentado buscar forças para lutar na religião e em Deus. Eu tento explicar para meu filho que o pai dele foi morar com papai do céu. Ontem eu estava chegando em casa e meu filho virou para mim e perguntou: ‘Mamãe, Deus morreu?’, eu falei: ‘O que, filho?’, ele prosseguiu: ‘Não, mamãe. Deus morreu’.

‘Por que você está falando isso, filho? Deus existe. Ele é o nosso amor. ‘Não, mãe. Deus morreu porque o mal sempre vence’. Eu tentando conversar com ele, acalmar ele, dizendo que não é verdade e ele falou assim: ‘Não é justo, mãe. Eu quero meu pai na terra. Meu pai não tem que estar no céu. Eu quero ele na terra’. O que eu vou dizer para essa criança? Por que o pai dele não está na terra?”, desabafa, sem conter as lágrimas. 

Homenagens 

Nesta quinta-feira, homenagens às vítimas serão realizadas em Brumadinho. O dia também será marcado por visita de autoridades que vão conferir de perto como estão a cidade, o Rio Paraopeba e as famílias atingidas. 

O Movimento dos Atingidos por Barragens se concentra desde às 8h no centro da cidade. De acordo com a prefeitura de Brumadinho, às 12h28, horário exato do rompimento da barragem, um ato, na entrada do município será feito em memória das vítimas. 

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fará um pronunciamento às 13h no clube Aurora, local que foi utilizado para assistência aos familiares das vítimas. O chefe do Executivo também reunirá com integrantes do Corpo de Bombeiros, para um voo na Região do rompimento da barragem.

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