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Agente penitenciário revela que está cada vez mais difícil lidar com pressão e ameaças de detentos

Por Redação , 26/07/2019 às 10:07
atualizado em: 26/07/2019 às 10:26

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Na última reportagem da série sobre a saúde mental dos agentes da segurança pública, você vai acompanhar o relato de um servidor que chegou ao fundo do poço, após quatro anos de trabalho no sistema prisional. Ao longo desta semana, você acompanhou na Itatiaia o pedido de socorro dos agentes da Segurança Pública de Minas Gerais. Eles clamam para que sejam criados mecanismos mais eficazes que possam coibir o adoecimento mental dos profissionais que arriscam suas vidas para a proteção da sociedade.

Ouça a reportagem completa com Amanda Antunes

Há um ano, o agente, que não será identificado, está afastado, fazendo acompanhamento psiquiátrico. As ameaças e pressões vindos do sistema e a falta de apoio psicológico das direções das unidades, para ele, foram alguns fatores que contribuíram para que desencadeasse o transtorno mental.

“Logo no segundo ano de sistema prisional, eu comecei a ficar mais angustiado, a beber todos os dias de folga, aí eu voltava para trabalhar e começava tudo de novo, né, enfrentar o estresse”, conta.

Quando o surto veio, o atendimento foi por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “Foi muito violento, aí eu fui levado para atendimento pelo SUS e aí lá que eu comecei a ter uma maior ajuda. A princípio eu procurei psiquiatra porque eu queria parar de beber, falando que eu estava ficando muito ansioso, que eu estava ficando muito triste, eu tinha pesadelo com preso, sonhava com ameaça de preso, e foi só piorando aí fui fazer o tratamento e parece que o tratamento deu o contrário”. 

Mesmo com laudo apontando que o agente não poderia ter contato com determinados tipos de setores, ele revela que foi obrigado a trabalhar armado.

“Me colocaram para trabalhar em posto armado, levei laudo para direção eles não acataram. Quando eu comecei a fazer o tratamento psicológico, eu acho que eles deveriam ter suspenso meu porte de arma, né?”.

A Itatiaia solicitou ao governo do Estado uma entrevista com um representante que pudesse esclarecer as políticas públicas voltadas à saúde mental dos agentes da segurança de Minas, porém o governo preferiu enviar uma nota.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) garante o acompanhamento periódico da saúde de todos os agentes e afirma que está trabalhando na melhoria das condições dessa assistência.

Ainda segundo a nota, a Sejusp afirma que possui uma Diretoria de Atenção ao Servidor que faz o acolhimento de todo o servidor que busca algum tipo de auxílio sobre a condição de saúde. 

Conforme nota enviada pela Polícia Militar, a corporação tem uma Clínica de Psiquiatria e Psicologia onde os militares podem ser atendidos. Ele pode procurar também as redes de atendimento com convênio. 

Segundo nota enviada pela Polícia Civil, a instituição dispõe de serviços voltados à promoção da saúde física e mental dos funcionários. O atendimento médico e psicológico é oferecido no Hospital da Polícia Civil.

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