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Pelé pode perder homenagem

Sem dúvidas, Marta merece ser homenageada em seu estado, mas, após sua morte e em um novo prédio público, sem dividir ou retirar a homenagem do Rei de futebol.

27/08/2019 às 11:59

Inaugurado em 1970, o maior estádio de futebol do estado de Alagoas homenageou o maior jogador da história e foi batizado como Rei Pelé, aliás, o único do país que traz o nome dele.

Ocorre que, na bizarra onda lacradora, um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa de Alagoas pretende alterar o nome do estádio para Rainha Marta, de forma a homenagear a atleta de futebol feminino que é natural do estado.

A alteração exige duas aprovações no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas e a sanção do governador Renan Filho (MDB), pois o estádio pertence ao estado e é dividido pelos clubes CSA e CRB.

Aprovado em primeira votação, após sensatas críticas, na segunda votação houve proposta de emenda para que o estádio passasse a ter dois nomes: Rei Pelé e Rainha Marta.

Vale ressaltar que ao ser indagado sobre a possibilidade de ter seu nome retirado do estádio, Pelé, com a grandeza dos bons, disse que Marta merecia e que a homenagem a ela seria justa.

Inicialmente, imprescindível destacar a vedação legal de denominar prédios públicos com nomes de pessoas vivas.

Isso porque em 1977 foi promulgada a Lei 6.454, que trata especificamente de bens e prédios pertencentes à União Federal, mas que é estendida, por força de simetria, aos estados e municípios.

A Constituição brasileira de 1988 também veda dar nome de pessoas vivas a prédios públicos, uma vez que o art. 37, caput, da Carta Magna brasileira consagrou o Princípio da Impessoalidade na administração pública.

Além disso, retirar homenagens é extremamente deselegante, sobretudo, quando se trata de Pelé, único atleta tricampeão da Copa do Mundo, que ganhou, ainda, duas Libertadores, dois Mundiais e dezenas de títulos nacionais e estaduais, bem como é aclamado como o atleta do século passado e maior jogador de futebol de todos os tempos.

Eventual homenagem à alagoana Marta, que tem como principais títulos os vices-campeonatos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos e que, curiosamente, mesmo sem títulos e campanhas de expressão, ganhou por seis anos o troféu de melhor jogadora do mundo de futebol feminino, seria justa, especialmente se tratando da jogadora que é um ícone do hesitante futebol feminino.

Sem dúvidas, Marta merece ser homenageada em seu estado, mas em um novo prédio público, sem dividir ou retirar a homenagem do Rei de futebol.

#SomosTodosPelé

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