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Tática, Messi e Arthur

Erros nas avaliações de Messi e Arthur...

05/07/2019 às 03:35
Tática, Messi e Arthur

Em basicamente todos os sistemas mais utilizados no futebol mundial atualmente, na fase defensiva, no mínimo oito jogadores recompõem para um combate razoavelmente direto. Apenas dois costumam ficar mais livres. 4-1-4-1/4-3-3, 4-2-3-1, 4-4-2 com duas linhas de quatro... Quando há uma mudança nesse cenário, normalmente é para acrescentar um atleta em uma das primeiras duas linhas – no 3-4-3 que vira 5-4-1, por exemplo.

Contra a Venezuela, a Argentina saiu desse padrão. Variava entre um 4-3-1-2 com losango no meio e um 4-3-3. Em um, ou em outro, Messi, Lautaro Martínez e Aguero permaneciam mais soltos, participavam pouco da marcação. Pelos lados, não se notava com mínima recorrência a dobra dos laterais com os “pontas”, quase onipresente nos campos mundo afora. Esse tipo de expediente anda tão raro que surgiu a dúvida: diante do Brasil, em um duelo mais competitivo, o que faria Scaloni para não ficar tão vulnerável pelos flancos – na medida em que Messi não sairia, Aguero foi confirmado na véspera, e Martínez foi o melhor nas quartas? O jovem da Inter, justamente por estar mais inteiro fisicamente, se sacrificaria para fechar a beirada – abandonando suas características ideais –, ou sairia do time? Nenhuma dessas opções aconteceu exatamente. A escalação da fase anterior repetiu-se. Para tentar amenizar os possíveis estragos de atuar com três peças tão adiantadas, que não recompunham com firmeza, Scaloni apostou na marcação pressão – justamente com esse trio apertando a saída de bola verde e amarela. Deu certo em muitos momentos. Mas lacunas nas laterais argentinas continuaram frequentes. No gol de Jesus no primeiro tempo, inclusive, em trama gerada pela direita, o Brasil aproveitou esse defeito. 

Já escrevi sobre as injustiças contidas nas simplórias análises de que Messi “não joga bem pela seleção”. Noves fora as reflexões da coluna passada acerca das complexidades de se analisar mérito individual em um esporte coletivo e tão afeito ao acaso, é curioso pensar que o craque do Barça, em 2014, não apenas foi vice – e poderia ter vencido caso Higuaín estivesse em jornada mais inspirada; ele foi eleito pela FIFA o melhor jogador do Mundial. Se o exagero de fato existiu – caras como Robben, para citar um nome, tiveram uma competição superior –, convenhamos que há uma distância intransponível entre a aventada ausência de grandes atuações de “La Pulga” pelo seu país e o simples “não foi tão espetacular assim, existiram melhores”; entre o “nunca jogou nada” e ser o melhor da Copa com algum exagero.

Messi fez mais uma temporada espetacular pelo Barcelona. Num time que perdeu bastante da sua sofisticação coletiva, salvou os catalães em incontáveis rodadas para levar com tranquilidade o Espanhol. Digno de nota o fato de que, apesar de seguir o melhor do planeta, o argentino não jogue hoje com a mesma explosão, a mesma velocidade de outrora. Há uma sutiliza, a fração de tempo/potência pouco mensurável, pouco palpável... Em arrancadas pontuais e assiduidade, a incerteza quanto à possibilidade de “jogar sozinho” aumentou. Na seleção dos “Hermanos”, em que a demanda por esse protagonismo tão absoluto chega a níveis patológicos, quase de caricatura, essa perda física, ainda que ligeira, para o tipo de jogo dele cobrado, pesa mais. Ainda assim, contra o Brasil, ficou claro que a culpa não é dele...

No nosso país, os volantes são alvo de generalizações quanto a seus estilos: ou são chamados de “brucutus”, ou de peças que “saem para o jogo”. Nesta boba dicotomia negligencia-se que às vezes um volante possui técnica, refinamento, bom passe, qualidades para ajudar na armação, mas operando mais atrás, sem “pisar na área” toda hora. É o caso de Arthur. Ele de fato não fez um grande jogo no Mineirão na terça, e, em geral, não vem brilhando na Copa América. Algumas das críticas que recebe, porém, são sem sentido, incompatíveis com o que dele se deve esperar – Arthur não é fazedor de gols, não costuma ser o “elemento surpresa”, dar assistências. Em algumas oportunidades, mesmo mais recuado, pode-se pedir que seus passes sejam menos laterais – como tem acontecido nas últimas partidas da seleção. Essa sim seria uma crítica correta, construtiva... 

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    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

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