Anônimo

Coluna do Anônimo

Veja todas as colunas

A ponta do círculo

"Se não há uma ponta nesse círculo, façamos cada um de nós a nossa parte junto com as meninas para, como bem disse Marta, ‘sorrir no final’."

25/06/2019 às 12:30

A Copa do Mundo de Futebol  Feminino na França acabou para o Brasil no último domingo, quando perdeu para as anfitriãs por 2 a 1 já no segundo tempo da prorrogação, pelas oitavas de final. A competição bateu recordes de audiência online e offline, e o fim da competição para o nosso país deixou uma incógnita no ar: e agora?

Muito mais que acreditar que a Seleção Brasileira merecia ir mais adiante no Mundial, ficou a sensação de que nossa torcida precisa seguir. Em um misto de consciência pesada e falta de conhecimento de causa, chegamos a conclusão de que ‘não é tarde demais’. Acabou a Copa do Mundo na França, mas, como o futebol é cíclico, um novo tempo vem aí. 

Uns dizem que a CBF precisa mudar base, regras, conceitos, espaço, etc; outros já querem patrocínio melhor, maior. A conclusão geral, no entanto, é uma só: é necessário valorização. De todos, para todas. E se estamos falando de um espaço circular, pode-se dizer que não há um princípio comum. Em uma reta, sabe-se onde é o começo. Mas o círculo, amigos e amigas, não tem ponta. 

O que quero dizer com isso? Que não é hora de buscarmos um responsável por mudar o nosso futebol feminino. A CBF não precisa do apoio social para melhorar as condições daquilo que lhe cabe, que é a administração e infraestrutura do futebol. A sociedade não precisa de uma Copa do Mundo para consumir o esporte que não vive apenas de uma competição - ganhamos a última Copa América Feminina, sabem disso?  

Além disso, patrocinadores não precisam de apelo social para apoiar uma causa, sabendo que o mercado atual é feito do on demand, o que significa que as pessoas vão consumir o que elas gostam e, sim, há uma demanda grande querendo o futebol feminino, principalmente vindo das mulheres. É só lembrar do boom das causas minoritárias e sua relação com as marcas para ver sentido no que falo. 

Sem mais delongas, se não há uma ponta nesse círculo, façamos cada um de nós a nossa parte junto com as meninas para, como bem disse Marta, ‘sorrir no final’. Se somos um povo que não aceita o vice, o terceiro lugar e muito menos não subir ao pódio, façamos nossa parte para figurarmos entre as campeãs. 

Sem deixar de citar Nelson Rodrigues, fica aqui seu puxão de orelha para todos nós: “A hora é de simpatia, de apoio, de estímulo, de solidariedade. Será que o futebol brasileiro (feminino) tem que se exilar para ser aplaudido? Será que nossos times só podem ser amados em outros idiomas?”. A Marta e toda a seleção é nossa. Tomemos para nós essa responsabilidade.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link